quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Milho para os "pardais"...



A questão das USF's não pode passar ao lado da nossa classe, pois o que a Ministra da Saúde propõe é inaceitável para a nossa profissão. É mais uma atrocidade que prevêem cometer contra os Enfermeiros. De acordo com Guadalupe Simões, dirigente sindical o cálculo de incentivos resulta, “em determinadas circunstâncias”, num “valor irrisório de 100 ou 80 euros por mês e de pouco mais de 900 euros anuais”.

Mas não é só esta questão que se levanta, mais importante do que os incentivos é o Projecto de Diploma relativo ao Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) que foi aprovado, na generalidade, a 20 de Dezembro, em reunião de Conselho de Ministros e que aguarda o inicio da discussão com o Ministério da Saúde.


Como Enfermeiro fico surpreendido com a inactividade da nossa classe! Com a formação que adquirimos e com a indubitável importância da nossa profissão na prestação de cuidados de saúde é inaceitável trabalhar nestas condições, temos o dever de lutar pelos nossos direitos. Esta questão da orgânica e remuneração das USF's, é tal e qual o que acontece no sector privado e em todas as instituições de saúde! A gestão da saúde nos moldes em que se encontra propicia uma má prestação de cuidados, pois no horizonte tem o fim lucrativo. Obviamente que a contenção de despesas com a saúde é necessária e racional, no entanto, esta contenção não pode inferir na qualidade dos cuidados prestados! Algo que a meu ver é susceptível de acontecer no sector público, e que sem dúvida acontece no sector privado! Neste sector até mais do que isso, o profissional Enfermeiro é desprovido de opinião, e apenas está ali para trabalhar! Obviamente que não podemos generalizar, pois a excepção faz a regra, no entanto hoje vejo atitudes de outros profissionais que são puros atentados ao respeito da nossa classe, até mesmo enquanto seres Humanos! Passando pelo desrespeito dos direitos da pessoa que requer cuidados de saúde, não médicos como tanto se apregoa!

Está na altura de em uníssono dizer basta e não deixar-mos que o Enfermeiro perca o papel que o caracteriza no "teatro da saúde", pois a saúde da nossa população também depende desse aspecto! A luta pelos nossos direitos não pode ficar entregue ao abandono.